Por dentro de quase nada, mas querendo mostrar o que há dentro de mim. Meu nome é Fabiana e às vezes escrevo coisas.

08 março 2009

Descombinando

Certo dia eu estava arrumada para sair e minha irmã falou: "Legal esse colar que você colocou. Só que não está combinando com nada." De fato - parei para pensar. Aparentemente, meu colar não combinava em nada com o resto de minha "produção". Eu disse aparentemente. Ele combinava com a fivela de minha sandália - ambos eram cor-de-rosa. Volta e meia tenho essa mania de combinar pequenas coisas, talvez até pensando que as pessoas irão perceber. Um anel e uma piranha no cabelo. Um brinco e o cinto. Só que não estou aqui para falar das frivolidades de meu modo de vestir, tampouco de peculiaridades do universo feminino. Parei para pensar como determinadas coisas em nossa vida parecem não combinar em nada com outras.

Tendemos a pensar na sincronia e proporcionalidade em nossa vida – assim como numa combinação de roupas e acessórios (onde o verde só combina com tons de verde), pensamos que o bem sempre traz o bem e o mal só acontece com pessoas ruins. Coincidentemente, uma amiga enviou-me um texto sobre um pastor falando disso que, para ele, é um “princípio espiritual”: você se esforça e tem sucesso, você ora e tudo acontece, você pratica a bondade e coisas boas te acontecem, porque Deus é justo e age em proporcionalidade com os nossos atos.

Creio que, conforme este pensamento, tudo seguiria uma espécie de “lei do merecimento”, segundo a qual daríamos a Deus o que Ele quer e Ele nos daria em troca o bem que supostamente merecemos. Questiono-me, então, por que coisas ruins acontecem com pessoas boas. Seria algum enorme pecado oculto que ela estaria escondendo e que a fez sofrer aquilo? Seria Deus um ser vingativo ou uma espécie de contador, que contabilizaria nossos pontos positivos e negativos?

Felizmente não tenho convivido com um Senhor que age desta forma – um Deus bom se você for bom, Deus ruim se você for ruim. Deus não é Papai Noel, que só dá presentes a meninos e meninas bonzinhos. Se Ele fosse seguir a tal lei do merecimento, é bem provável que só vivêssemos tristezas, pois no fundo somos totalmente imperfeitos se comparados ao nosso alvo – Jesus.

O certo é que às vezes, de nosso ponto de vista, há coisas que definitivamente parecem não combinar em nossas vidas. Se temos um relacionamento com Deus, se colocamos todas as angústias nas mãos Dele, por que coisas ruins teimam em acontecer?

A resposta pode estar num princípio simples, retirado de um dos salmos mais conhecidos: “O Senhor é meu pastor, nada me faltará” (Salmo 23:1). Sempre pedimos e esperamos coisas boas da parte de Deus para nós. Volta e meia recebemos o que não pedimos ou não recebemos o que pedimos. É aí que não parece combinar. É frustrante. Só que o Senhor está observando todos os detalhes. Como falei no início do texto, o colar só parecia não combinar; na verdade combinava com a fivela da sandália. Não é diferente com as lições que o Pai nos dá através de experiências não tão agradáveis. Parecem não se encaixar no contexto, mas na verdade fazem parte dele, sim. Pelo simples motivo que quem sabe o que é melhor para nós é Deus e, segundo Sua Palavra, “nada nos faltará”. Não faltarão coisas boas, mas não faltarão repreensões e boas lições quando precisarmos.

No fundo, aquilo que parece não combinar com nossa vida de devoção e amizade com Deus, combina na medida em que Ele quer moldar nosso caráter, ver algo melhorando em nossa personalidade e que só pode ser aperfeiçoado através de fatos que julgamos “ruins”. Então, antes de reclamar ou questionar o porquê daquilo estar acontecendo, devemos procurar e ver se aquilo não está de fato combinando com algo que precisamos aprender ou mudar.

2 comentários:

Jamile Fernandes disse...

Ah! Essa minha amiga...
Me mata de orgulho :p

Livia disse...

Ai que bommmmmmmm, o blog voltou.
Adoro e adorei o texto.

Beijos Fabi.