Por dentro de quase nada, mas querendo mostrar o que há dentro de mim. Meu nome é Fabiana e às vezes escrevo coisas.

10 agosto 2008

Da morte para a vida


Há algumas semanas eu estava relendo a história da morte de Lázaro (João 11) quando tive um "insight" (como diz uma professora minha). Fiquei amadurecendo a idéia e procurando respostas na Palavra acerca do assunto.

Eu gosto de falar dos impossíveis. Mais ainda do Deus dos impossíveis. A Bíblia, tanto no Velho Testamento (Gênesis 18:14), quanto no Novo Testamento (Lucas 1:37) deixa claro que o impossível está restrito ao homem e aos demais seres da Criação, mas não ao Criador. Ao Senhor, TUDO é possível.

Lázaro. Irmão de Marta e Maria, amigo de Jesus. Quando Lázaro adoeceu e mandaram avisar Jesus, este esboçou tranqüilidade a até aparente descaso quanto à situação de seu amigo. Ora, Ele era o próprio Deus! Bastava uma palavra sua, ainda que de longe, para que Lázaro fosse curado. Mas não. Parecia que Jesus não queria, ou que estava muito ocupado naquela cidade. Quando, enfim, Lázaro morreu, Jesus se prontificou a ir até Betânia.

Em sua chegada lá, como já era previsto, o discurso de Marta e Maria foi: "Senhor, se tu estiveras aqui, meu irmão não teria morrido". Isso me levou a lembrar que muitas vezes pensei que o Senhor não ouviu minhas orações, ou que chegou tarde demais para resolver meus problemas. Como disse no início, procurei respostas na Palavra para saber o motivo de Deus se calar diante das mais fervorosas orações, nas mais acirradas tribulações de nossa vida. E como o Pai é bom - até quando penso coisas horríveis Dele, que definitivamente não fazem parte de seu caráter absolutamente ilibado, Ele me corrige em amor.

Tudo está ligado ao desejo do Senhor em nos moldar. Fazer-nos entender que Ele tem Seu próprio tempo de fazer as coisas e que este tempo está intrinsecamente ligado ao nosso amadurecimento espiritual. Muitas vezes, nossos pedidos ao Senhor têm que alcançar o patamar do impossível para que Ele venha a agir. No caso de Lázaro, teve de chegar à morte para que Jesus ordenasse o Seu querer - a vida! E Lázaro ressuscitou para que fosse demonstrada a glória do Pai.

Em nossa caminhada com Deus não é muito diferente. Pedimos, sofremos, clamamos ainda mais e, quando tudo parece impossível, vem o Senhor e faz o milagre. Assim não resta dúvida de que foi o Seu agir, e não nosso esforço; o Seu tempo, e não o nosso. A Palavra fala que a semente precisa morrer para que dê fruto: "Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto" (João 12:24). Mesmo a morte, o "ponto final da vida", não é algo definitivo para Deus. Ele pode muito bem revertê-la, como fazer nascer algo novo, que dê muitos frutos. Devemos pensar assim com relação aos nossos sonhos, anseios, problemas que estão nas mãos de Deus. Mesmo que pareça já não ter jeito, o Senhor nos prova que pode transformar a morte em vida, a semente em fruto, o feio em bonito, o impossível em possível. Basta crer.

Desde o início, quando informaram a Jesus que Lázaro estava doente, o Senhor assegurou: "Esta enfermidade não é para a morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela" (João 11:4). E cumpriu Sua promessa. Ora, antes mesmo de nascermos, Jesus também falou que não devíamos nos inquietar, mas colocar tudo em Suas mãos. Então, por que duvidar?

"E pelo que haveis de vestir, por que andais ansiosos? Olhai para os lírios do campo, como crescem; não trabalham nem fiam; contudo vos digo que nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir? {Pois a todas estas coisas os gentios procuram.} Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso. Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal" (Lucas 6:27-34).

Dançar além da dança...

Ainda há quem nos pergunte por que preferimos as praças às igrejas, a dança de rua ao ballet clássico, o impactante ao monótono, o surpreendente ao previsível. Deus tem um plano para esta geração e nós temos que acordar para isso.



*Extraído do Mosaicla's Channel do Youtube, da Comunidade Mosaic de Los Angeles.

27 julho 2008

Tão perto e tão longe...



"Entidade metafísica de natureza superior à minha". Eu já ouvira falar de Deus de várias formas: "força maior", "o lá de cima", "o todo-poderoso", "o cara", ou simplesmente "Ele". Algumas até desrespeitosas, mas aquela primeira me surpreendeu. Vou até repetir: "entidade metafísica de natureza superior à minha" - ouvi-a em minha aula de especialização. Acho que a pessoa que falou quis dar abrangência ao termo, ou ainda exacerbar, mesmo que de forma levemente irônica, a importância e imponência desse ser que rege todo o universo.

Distância - foi o que senti. Vi que a pessoa colocou o bom Deus num patamar de tal modo inalcançável, que teve de utilizar-se dessa qualificação para se referir a Ele. É claro que a Bíblia fala de Seu poder, de Sua onisciência, onipotência e onipresença. Sabemos que Deus é Deus e nada é impossível para Ele. No entanto, a meu ver, em momento algum Deus se pôs em uma posição de distância da humanidade. Embora muitas pessoas hoje se perguntem "onde está Deus?" frente às grandes catástrofes mundo afora, a Palavra de Deus nos mostra o quanto Ele sempre esteve perto. Mesmo no deserto (cf. livro de Êxodo) foi claro o cuidado (não faltou comida e as vestes do povo de Israel não se desgastaram) e presença de Deus (a nuvem de fumaça durante o dia e a coluna de fogo durante a noite). Até mesmo Jonas, que tentou fugir de Deus, pôde buscar Sua presença dentro da barriga do peixe. Ok, ok - tudo isso parece conto de fadas (embora eu acredite piamente que tudo seja a mais pura verdade!). Então busquemos ver a atenção de Deus para conosco na própria criação, neste mundo lindo, na perfeição com que funciona o organismo do ser humano. Difícil mesmo seria crer que tudo isso nasceu de uma grande explosão, hum?!

Este Deus "próximo" tem cuidado de mim durante toda a minha vida. Mesmo nos momentos em que eu cheguei a duvidar de Sua presença (como já descrevi no texto Dandelion, neste mesmo blog), Ele mostrou que, apesar de tremendo, também é um Deus personalíssimo, que trata pessoal e intimamente com cada um de nós. E por conhecê-lo desta forma, não poderia apelidá-lo de "entidade metafísica de natureza superior à minha". Faria mais justiça chamando-o de Pai, Jesus querido, meu amado, meu amigo e companheiro. Não é, de forma alguma, faltar-lhe com o respeito ou rebaixar-lhe de Sua soberania; antes é retribuir-lhe o imenso interesse e cuidado que tem conosco, dia após dia.

Te amo, Paizinho! Mais e mais a cada dia...

24 junho 2008

"A festa surpresa só começou..."

"Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito." (Provérbios 4.18)

Dei de cara duas vezes com este versículo na última semana e, pela fé, tomei-o para minha vida. No último post havia falado como as coisas de Deus às vezes são absurdas aos olhos humanos. A verdade é que o Pai, quando percebe que nossa vida não está sendo construída sobre sólido fundamento, derruba tudo para poder reconstruir com perfeição.

Houve um tempo em que eu esperava várias coisas de Deus. Daí escrevi um texto nesse blog chamado "Festa Surpresa". E ontem mesmo falei com um amigo sobre esse texto, sobre como Deus é cuidadoso conosco e só prepara o melhor para nossas vidas. Soou como profecia para mim mesma - ontem à tarde recebi o resultado de uma seleção de emprego que eu estava fazendo e, percebam, FUI CONTRATADA!!! Meu amigo falou: "E tua festa supresa está só começando, Fabi! Vai ser igual a uma festa de 15 anos!". Glória a Deeeeus! Eu recebo! Sei que o Senhor ainda tem muitas promessas a cumprir em minha vida!

O versículo fala que a vereda dos justos é como o raiar do sol, que, aos poucos, torna o dia claro. O justo, aqui, não é "o cara", o bonitão pra Deus. Neste sentido, a Bíblia fala que não há sequer um ser humano com este perfil (cf. Romanos 3:10). O justo, é aquele justificado pela fé em Cristo, ou seja, aquele que tem Jesus como seu Salvador e que encontra Nele o seu exemplo de vida. Nesta segunda categoria sei que posso me incluir. Então, é promessa do Senhor para mim que minha vida será assim, como o raiar do sol - e o sol subirá e resplandecerá até ser dia perfeito! Se nossa vida está nas mãos do Senhor, sob Seu soberano controle, Ele faz com que ela brilhe. Não que tudo nela seja perfeito e próspero, mas há sempre uma diferença ao se comparar com a vida daqueles que correm confiando em suas próprias forças. Nossa força, confiança e orgulho têm que estar no Pai, que nos criou e que escreveu toda a nossa história. Assim sendo, poderemos esperar que as surpresas de Deus em nossa vida sejam cada vez mais radiantes, como o sol.

Mas o que sinto com mais convicção em meu coração, neste momento, é que nenhuma conquista valeria a pena e me traria tanta alegria se eu não soubesse que foi dada pelo Senhor. Nada tem muita graça se não for com Ele. Só Sua presença é que traz alegria permanente ao coração.

E que venha o dia perfeito...

11 junho 2008

Nada de óbvio!


Eu estava vendo um comercial de TV onde um homem já "quarentão" falava sobre tudo o que ele pensava que ia acontecer em sua vida e que, de fato, não ocorreu como ele imaginava. Realmente... Tem certas coisas em nossa vida que, exatamente quando as damos por certas, concretizadas, pétreas, Deus vem, dá uma "bagunçada" e você vê que não era pra ser nada daquilo que você estava projetando.

O comercial me fez pensar: as coisas de Deus não são nada óbvias. O profundo desejo do Senhor para a vida dos Seus é algo verdadeiramente insondável. Na verdade, nem sei por que me surpreendi - lá em I Coríntios 1:27-29, Paulo já nos alertava: "Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele". Davi era o mais franzino de seus irmãos. José do Egito, o caçula sonhador. Abraão e Sara, estéreis. Moisés, um gago medroso. Raabe, uma prostituta. Pedro, um pescador iletrado e de cabeça-quente. Paulo, um perseguidor e assassino de cristãos. Jesus, um homem pobre que desobedecia as leis e andava com gente mal-falada. Há alguma lógica em algum desses ser predestinado para marcar a História? Nenhuma! E você, quem é? O que tem feito? Por onde tem andado? Para Deus, pouco importa, pois, graças à Sua misericórdia, Ele não age sob a lógica humana.


No momento em que colocamos nossas vidas nas mãos de Deus, Ele se propõe a fazer conosco uma linda reconstrução. Falo aqui não do momento em que aceitamos Jesus como nosso Senhor e Salvador, mas no instante em que percebemos que nossa entrega a Ele tem que ser TOTAL, de TODOS os aspectos de nossa vida. A partir daí, Deus faz da nossa vida o que Ele quiser. E neste processo é muito provável que algumas reviravoltas aconteçam. Algumas certezas titubearão, outras tantas cairão, a fim de que o Senhor vá fixando em nossos corações somente aquilo que Ele de fato tem para nós.

É ruim ver um plano dar errado, um sonho se frustrar, um ideal morrer, ou ter que voltar atrás quando já andamos metade do caminho. Porém, como diz Paulo em I Coríntios 13:9, "porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos". Nós sonhamos dentro da limitação de nossas mentes; só queremos até onde nossos olhos alcançam. Aquilo com que tanto sonhamos pode ainda não ser a plenitude do que Deus tem para nós - Ele tem mais, Ele quer nos dar o melhor. A continuação do capítulo diz: "Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado" (I Coríntios 13:10). Quando virmos se concretizar a perfeita vontade de Deus para nossas vidas, até esqueceremos o que estávamos sonhando antes dela! Acho até que diremos: "Onde é que eu estava com a cabeça quando desejei isso?".

Vale a pena DEMAIS servir a esse Deus maravilhoso, não por todas as bênçãos que Ele tem a nos dar, mas por essa incrível caminhada de fé e preciosos ensinamentos - nada óbvios ou lógicos - que Ele tem para Seus filhos.

03 junho 2008

Não, obrigada!


Dia desses, eu estava conversando com um amigo que me contava ter feito uma tatuagem. Somente contava, nada - como se não bastasse o relato, ele me mostrou as fotos de todo o doloroso processo. Doloroso até de ver. Não me contive em minha curiosidade e fiz a pergunta mais clichê de todas - "Doeu muito?", "Fabi, - ele respondeu - no começo até dói, mas depois a gente se acostuma com a dor". Noooossa. Acostumar-se à dor? Aquilo foi profundo, pelo que passei a refletir sobre o assunto.

Creio que, filosoficamente falando, na abrangência da palavra viver, está implícito o sentimento da dor. A gente já começa a vida aqui do lado de fora do ventre materno sentindo dor: a dor do frio cortante, a dor de sentir as paredes de nossos pulmões se “despregando” uma da outra para que o ar entre, a dor da luz entrando pela primeira vez em nossos olhos, ou mesmo a dor da palmada do médico para que a gente chore. O choro dura até que encontramos o aconchego dos braços quentes de nossa mãe e do seio que por um tempo nos dará o alimento. Mal sabemos que este é só o começo da grande montanha russa da vida, onde oscilaremos entre momentos de extrema alegria e de dores tremendas.

Sentir dor é normal. É humano. Mas “acostumar-se à dor” foi algo que soou novo aos meus ouvidos. Passei a refletir se, alguma vez na vida, eu já havia deixado que a dor se estabelecesse de tal forma em meu coração que eu me acostumei à sua presença constante. Creio que sim. E creio que isso já aconteceu com você também. Episódios ocorrem em nossa trajetória neste mundo e nos causam dor lacerante no coração. A dor da morte de alguém que se ama, a dor de planos que foram frustrados, a dor de uma traição, de um elo de amizade rompido, a dor de uma depressão que não se cura. Às vezes a dor se entranha de tal forma que parece ter-se aderido à nossa própria personalidade. Aí o semblante decai, o brilho no olho desaparece, a postura se enverga e a pessoa passa a não viver a plenitude do que Deus tem para sua vida; está sempre com aquele fardo da dor sobre suas costas. Acostumou-se a levar aquela carga; muitas vezes nem se lembra quando tudo aconteceu, mas é certo que a dor está ali, aderida ao seu coração.

Por que Deus permite que Seus filhos sintam dor? Será que Ele se agrada em ver nossas lágrimas? De modo algum. Sua Palavra está repleta de mensagens que deixam claro que Deus se compadece da dor de Suas ovelhas: “Tu contaste as minhas aflições; põe as minhas lágrimas no teu odre; não estão elas no teu livro?” (Salmo 56:8); “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Apocalipse 21:4). Quando estamos debaixo da mão de Deus, ou seja, sob esta proteção especial que somente Seus filhos têm, até mesmo a dor é fruto da vontade permissiva de Deus para que sejamos moldados. “Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte.” (2 Coríntios 7:10); “Melhor é a mágoa do que o riso, porque a tristeza do rosto torna melhor o coração.” (Eclesiastes 7:3). Até a pior dor no coração que um servo de Deus venha a sentir, deve trazer-lhe à consciência que o Senhor está no comando, contando cada lágrima que cai e moldando seu caráter.

Mas o que me veio mesmo ao coração através de toda essa experiência foi uma frase de Jesus: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28). Se temos a certeza de que estamos andando conforme a vontade do Senhor, a dor nada mais é do que um aperfeiçoamento, um treinamento. Não podemos deixar que ela nos abata e nos tire do caminho perfeito que o Senhor tem trilhado para nós. Assumamos nossa dor e, antes que ela se infiltre nas paredes de nosso coração, entreguemo-la ao Senhor dos Exércitos, ao rei Jesus. Entremos em júbilo nos átrios do Pai para adorá-lo em tempo bom ou ruim, em dor ou em regozijo. Quando decidimos adorar a Deus pelo que Ele é e por tudo o que já fez, mesmo em tempo de agonia, vemos que a dor e o sofrimento vão embora e dão lugar a um sentimento de paz e a uma “estranha” confiança de que tudo vai dar certo. E, confiando no que Jesus falou, sabemos que Ele toma todas as nossas cargas, pesos, tribulações, preocupações, coloca em Suas costas e, ao tempo certo, nos livra daquela dor. No lugar dela, restam perseverança e ESPERANÇA, e um caráter inabalável. Sentir a dor e saber entregá-la a Deus é sinal de desenvolvimento em nosso relacionamento com Ele. Acostumar-se à dor? Passar a vida rastejando? Não, obrigada. Isso seria “andar pra trás”.

"E não somente isso, mas também gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que atribulação produz a perseverança, e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança; e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." (Romanos 5:3-5)

“Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, permanecer inabaláveis.” (Efésios 6:13)

29 maio 2008

Mucunã - Fazendo a diferença...


No último final de semana, nós, da Missão Exército da Luz, estivemos em Mucunã, um bairro de Maracanaú, que, por sua vez, é um município da zona metropolitana de Fortaleza.

De pronto fomos avisados acerca do perfil da comunidade - um bairro meio desprezado, onde predominam a violência e as drogas. Este binômio sempre é resultante de ausência absoluta de Deus na vida das pessoas. Ótimo, pois passamos tanto tempo dentro de nossas igrejas, nos enchendo de tanto amor, graça e paz, que temos que buscar regiões áridas da presença de Deus para poder compartilhar essa porção tão abundante que Deus tem nos dado. Um grupo de cerca de 40 pessoas aceitou o desafio. E fomos.

Depois de uma noite mal dormida por causa dos mosquitos (há quem diga que eram verdadeiros helicópteros!), tomamos café e começamos as atividades - um grupo permaneceu no colégio fazendo ação social, enquanto outro saiu às ruas para falar de Cristo. Fui neste segundo.

Para nossa surpresa, encontramos muitos lares abertos para a Palavra de Deus. Um carpiteiro largou o que estava fazendo e disse: "É pra falar de Deus??? Podem entrar!". Deu-nos ouvidos e cremos que a Salvação de Deus entrou naquela casa. Mal sabia ele que, ao entrarmos ali, lembramos do próprio lar de Jesus, devido ao ofício semelhante ao de José. Em outra casa, um casal demonstrou uma sede maravilhosa em aprender mais de Deus e pediram-nos uma bíblia. Andreya foi o nosso maior presente pela manhã - uma jovem muito bonita, que nos contou que seu coração já vinha sendo tocado por Deus, que a chamava a ler Sua palavra, a conhecer mais Dele. Oramos com ela, entregando seu coração e seus caminhos a Jesus e, quando abrimos os olhos, ela estava chorando. Acho que não sei descrever a alegria que inundou meu coração e o de meus companheiros de evangelismo - Ítalo e Iuri - ao vermos aquela cena. Ganhamos o dia.

Como se não bastasse, à tarde, no atendimento jurídico, tivemos a oportunidade de oferecer uma solução alternativa aos problemas daqueles que vieram em busca de conselhos: a justiça que só o Senhor pode operar! Vieram até nós pessoas com o coração abalado por causa de pendências judiciais; para a glória de Deus, saíram daquela sala pessoas fortalecidas em fé e esperançosas de que, nas mãos de Deus, todos os problemas têm solução.

À noite... impactante. Creio que me converteria, se já não tivesse a Salvação. Tudo muito impactante.

O que mais me chamou a atenção neste dia foi a alegria incomparável que inundou os nossos corações desde a hora em que acordamos. Foi reluzente a ponto de uma pessoa, em uma das casas, perguntar se eu não tinha problemas, se a vida com Jesus espantava todos os males. "Que sorriso é esse?", perguntaram. Senhor... só Tu sabes. O sorriso daqueles que temem a Deus e o amam de todo coração é algo sobrenatural. Vai além das circunstâncias em que vivemos. Sobrepõe qualquer problema que venhamos a passar. E o Senhor ainda dá uma unção especial àqueles que estão a fazer a Sua obra. Foi o que senti naquele dia - uma vontade de gritar de tanta felicidade por ter o Senhor em meu coração. É ISSO que mostra a nossa diferença às pessoas que ainda não conhecem Cristo. De pouco adiantaria entrarmos naquelas casas cheios de teologias e de conhecimento bíblico; se as pessoas não vissem diferença real em nós, não teriam vontade de ter o Deus que temos. E, para a glória de Deus, ocorreu assim. Mucunã foi um lugar de vitória de Jesus Cristo. Quero que o Senhor me dê ocasião a voltar lá e ver os frutos das sementes que plantamos.

Obrigada, Jesus! Te louvo...

19 maio 2008

Pensando no alto...


Um post rápido para expressar só uns pensamentozinhos que me vieram à cabeça e ao coração nesta tarde...

Estava tão atribulada hoje... Tinha que resolver mil coisas, pagar umas contas, enfim, me desdobrar em mil para cumprir mil compromissos numa única tarde. Fui ao Centro da cidade e, na correria entre uma fila e outra, parei numa esquina para esperar o semáforo me permitir atravessar a rua. Passei a mão na testa e olhei para o céu - estava azul, sem nenhuma nuvem e, ao longe, pude ver um daqueles aviões que fazem desenhos de fumaça no céu. Ele havia deixado uma trilha imensa e branca. Em questão de segundos, pensei tantas coisas e, quando cheguei em casa, sentei logo ao computador para despejar tudo aqui, antes que se percam os pensamentos no tempo e na memória triplamente falha de Fabiana.

Pensei nos últimos dias que tenho vivido - trabalho, estudos, mais estudos por vir, compromissos na igreja, ensaios de dança, CORRERIA! Muitas vezes, com tantas atividades (e nelas incluo até as atividades para o Senhor!), criamos uma "visão rasteira". Só olhamos para aquilo que está imediatamente à nossa frente. Naquele momento, naquela esquina, aquele aviãozinho me chamou a atenção. Na verdade, me levou até outra dimensão - a dimensão do Espírito de Deus, e é nela que o Senhor quer que andemos em todo o tempo.

Enquanto estamos em nosso corre-corre diário, o Pai, dos altos céus, se ocupa em buscar formas de manter suas ovelhinhas com a mente e o coração nas coisas e sentimentos divinos. Vê se pode?! Deus... se ocupando... com nossa desatenção nas coisas do alto. Mas é verdade. Já dizia o salmista: "O Senhor olhou do céu para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento, que buscasse a Deus" (Salmo 14:2). Seus olhos estão voltados para nós e, carinhosamente, ele ainda envia sinais para chamar nossa atenção.

O caso do avião é bem particular. É algo que, desde a infância, me fascina. Quando eu ainda pensava que as nuvens eram algodão-doce, cria piamente que esses aviões eram auxiliadores nessa tarefa. A ilusão passou, mas o fascínio por estes desenhos no céu continua. Naquele momento o Senhor me tirou, ainda que por segundos, da rua, da correria, das preocupações, da terra. Pude olhar para o céu e sentir a paz e o silêncio na alma, como se estivesse dentro do avião. Desafiei-me, então, a passar o resto do dia assim, pensando no céu, nas coisas de Deus, em como Ele é bom, cuidadoso, carinhoso, amoroso.

E ainda tem gente que insiste em dizer que Deus não existe...

08 maio 2008

Sempre adiante...


"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (Fernando Pessoa)

Dia desses, eu estava escutando uma música da Fernanda Brum, Por um momento assim. Falava sobre alguém que, encontrando um lugar agradável, construiu uma casa em uma ladeira e ali ficou. Não se preocupou em perguntar, nem descobrir o que havia mais adiante. Só que o Senhor sempre lhe falava: “Sobe mais alto e maravilhas tu verás!”.

Ambos – o pensamento de Fernando Pessoa e a música de Fernanda Brum – tocaram-me no mesmo sentido: a Palavra de Deus que nos diz que “... as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”, em II Coríntios 5:17. Deus está sempre buscando uma forma de nos mostrar que andar com Ele é ANDAR, não estacionar (como ouvi na pregação de ontem).

A nossa caminhada com Deus é a ladeira de que fala a música. Ela é sempre crescente. Deus quer que vivamos sempre em novidade de vida, sempre descobrindo novas coisas. No entanto, algumas vezes nos agradamos em permanecer em algum ponto de nossa caminhada, ou seja, algo nos leva a estacionar e ali permanecer. Isso pode ocorrer por causa de um emprego, um relacionamento ou mesmo uma condição ministerial. Nosso coração se sente confortável ali – é tranqüilo, sem turbulências, tudo esquematizado, sem muitas surpresas... PERFEITO! É tudo o que um ser humano quer – estabilidade. Só que isto não é o melhor que Deus tem a oferecer. E garanto que, mesmo embaixo do teto e sob o calor dessa casa da ladeira, algumas vezes somos levados a pensar: “O que há mais pra cima?”.

A questão é que nunca saberemos se não arriscarmos. Na mesma música, após o convite do Senhor, dizendo que podemos ver maravilhas se seguirmos adiante, Ele previne: “Mas a tempestade poderá chegar!”. As tribulações podem vir e já não estaremos protegidos por um teto seguro. Ocorre que, quando estamos debaixo da perfeita vontade de Deus – caminhando, subindo, seguindo adiante – Sua proteção e cuidado sobre nós é infinitamente superior do que qualquer estrutura humana poderia proporcionar. É enfrentar vento, tempestade, frio e saber que tudo aquilo é um treinamento para o que há de vir: mais uma surpresa incomparável do Senhor.

Como Fernando Pessoa deixa claro, temos uma escolha a fazer. Penso que seja diária essa opção. Devemos acordar e optar por, naquele dia, colocar tudo diante do Senhor e perguntar o que Ele quer de nós, onde quer que caminhemos, o que quer que façamos. Senão corremos perigo de viver uma vida cristã limitada dentro de nós mesmos, de nossos pequenos sonhos e medíocres desejos.

26 abril 2008

Para pensar...


"Não confundas o amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer. Por eu amar a Deus, meto-me a pé pela estrada fora, coxeando penosamente para o levar aos outros homens. E não reduzo o meu Deus à escravatura. E sou alimentado com o que ele dá a outros. Eu sei assim reconhecer aquele que ama verdadeiramente: é que ele não pode ser prejudicado. O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca."

Antoine de Saint-Exupéry, in 'Cidadela'