Por dentro de quase nada, mas querendo mostrar o que há dentro de mim. Meu nome é Fabiana e às vezes escrevo coisas.

26 abril 2008

Para pensar...


"Não confundas o amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer. Por eu amar a Deus, meto-me a pé pela estrada fora, coxeando penosamente para o levar aos outros homens. E não reduzo o meu Deus à escravatura. E sou alimentado com o que ele dá a outros. Eu sei assim reconhecer aquele que ama verdadeiramente: é que ele não pode ser prejudicado. O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca."

Antoine de Saint-Exupéry, in 'Cidadela'

23 abril 2008

O poder que se aperfeiçoa na fraqueza



Em meu PG na igreja – Pequeno Grupo C9 (amo vocês!!!) – estamos estudando as viagens de Paulo. No princípio foi estranho, porque sempre costumamos abordar mais lições “espirituais” (segundo as julgávamos) e não são muitas as vezes que paramos para analisar aspectos históricos da Bíblia. No entanto, estamos vendo que, por cada um ter o Espírito Santo tão vivo e transbordante dentro de si, é impossível que leiamos a Palavra fazendo uma simples análise histórica. Afinal, ela própria não se autodenomina “viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hebreus 4:12)?

Lendo todo o percurso de Paulo no livro de Atos, tiramos muitas lições preciosas. Talvez uma a cada versículo. A cada nova cidade, vemos um milagre de Deus, um agir poderoso, vidas sendo tocadas pelo Evangelho, o sobrenatural do Senhor se fazendo sempre presente. Maravilhoso!!! No entanto, ao terminar este livro, lendo os respectivos comentários de minha Bíblia, algo me chamou muito a atenção.

Paulo e eu temos algo em comum. (Até ri depois de escrever esta frase – quanta pretensão! E não foi isso que "me chamou muito a atenção", não! Calma! Falarei logo ali na frente). Explico: dedicamo-nos à escrita. Escrevo todos os dias numa agenda, escrevo para o informativo da igreja, escrevo cartas aos amados, escrevo no blog... escrever é minha forma de expressão mais transbordante. Não sei se Paulo tinha prazer em escrever, pois as suas cartas foram redigidas mais por necessidade de cada igreja à qual se destinavam. Mas tudo indica que o Senhor colocou no coração de Paulo esse desejo de extravasar a graça e amor do Pai através da escrita. E ser movido pelo coração de Deus, isso sim, era o maior prazer da vida de Paulo.

A partir de sua segunda viagem missionária, ele ia escrevendo, fosse para fortalecer, fosse para exortar as igrejas que tinha ajudado a fundar. Minha atenção se prendeu no fato de que seu período de maior produção literária foi durante o que alguns chamam de sua quarta viagem missionária. “Alguns” se deve ao fato de que não foi bem uma viagem planejada com o intuito de fazer missões – Paulo estava preso, sendo levado à Roma para ser julgado. Acabou sendo um trajeto de missões porque em todo o tempo Paulo teve a oportunidade de provar a fidelidade de Deus em sua vida e ganhar pessoas para Cristo.

Isso me tocou simplesmente porque, nos momentos difíceis, temos a tendência de nos calar até para as pessoas mais próximas, fechando-nos em nós mesmos. Calamos até o nosso coração e ele fica impossibilitado de se mover no sentido que Deus quer que ele se mova. Aí olhamos para Paulo, que sabia ser feliz em toda as situações (cf. Filipenses 4:11), e mesmo no seu momento de maior dificuldade – sua prisão – estava permitindo que Deus o enchesse com medida superabundante, a ponto de transbordar através de suas cartas.

Seja qual for a nossa prisão (física ou espiritual), não podemos deixar de ouvir a voz de Deus. E mais, devemos permitir que Ele nos use, por mais que sintamos ser isto impossível pelas circunstâncias. Talvez o Senhor tenha nos colocado em meio a cadeias para nos mantermos quietos e prestando atenção no momento em que Ele quer falar mais alto aos nossos ouvidos.

Paulo se dispôs e, notem, os frutos gerados por suas cartas, escritas em tempos difíceis, brotam até os dias de hoje, tocando corações e salvando vidas. Tudo isso porque ele permitiu que o poder de Deus se aperfeiçoasse em sua vida, mesmo num momento de aparente fraqueza (cf. II Coríntios 12:10).

01 abril 2008

Dia da Verdade



1º de abril. Por incrível que pareça, não recebi nenhum e-mail sobre a origem desse dia, ou com piadinhas infames, e ninguém me pregou peça alguma. Com tanta mentira que o povo deve ter contado por aí, refleti mesmo foi na verdade da presença de Deus em nossas vidas.


Estava pensando no quanto este dia foi especial pra mim. Não, não aconteceu nada impressionante nem bombástico; na verdade, mal saí de casa (fui na livraria comprar umas coisas, e só). Apenas refleti na capacidade que Deus tem de fazer com que dias ordinários ou ruins sejam transformados em um aprendizado gostoso e bonito.


Hoje acordei triste. Meu dia estava sem cor. Só que, quase que imediatamenté após o sentimento da tristeza, veio em minha mente uma música do Diante do Trono que diz:


Onde quer que eu esteja, Senhor
Em um vale ou alta montanha
O que faz o meu dia ter cor
É a beleza da Tua companhia
Não importa o lugar se comigo o Senhor está
Com muito ou pouco sou feliz
Não importa o que está do lado de fora
És o meu tesouro, estás dentro de mim

Tua presença
Tua presença faz toda a diferença
Tua presença
Tua presença tranforma o meu deserto em um jardim secreto
Lugar de intimidade contigo
Tu és tudo o que eu preciso


Noooooossa, como essa música me tocou. Eu estava triste, mas sabia que só a presença do Senhor na minha vida era o bastante pra eu me alegrar de novo. A mudança não foi assim, rápida como um raio, mas ao longo do dia e graças a verdadeiros anjos de Deus (eles sabem quem são), tudo foi mudando. E cá estou eu, com uma alegria "inexplicável" em meu coração, ao fim do dia que amanheceu nublado, escuro. Deus me dê a graça de viver como Paulo - "...porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação" (Filipenses 4:11).


Há muita verdade de Deus na vida daqueles que o buscam. Mesmo num escuro 1º de abril.

Paz do Senhor a todos!

11 março 2008

Um tesouro no OUTRO...


“Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam nem roubam; porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mateus 6:19-21)


Hoje, meio que “sem querer”, li este trecho da Palavra. Estava procurando outra passagem, mais parei nele. Inevitavelmente, fui levada a refletir sobre o que seriam estes “tesouros sobre a terra” e “tesouros sobre o céu”. Os da terra o próprio Jesus se encarregou de citar: tudo o que, com o tempo, perece. No entanto, me ative mesmo foi em desvendar esses “tesouros do céu”...
Com tanta coisa para encher nossos olhos aqui na terra, tirando nossa atenção das coisas do Pai, foi até demorado trazer à memória esses tesouros de Deus. Mas depois que o primeiro inundou meu coração – a PAZ fora do entendimento, que só o Senhor pode dar e que o tempo não pode nos tomar – os outros foram surgindo como que em cascata: bondade, paciência, amor ao próximo e a tudo o que Deus criou, ardor no peito para proclamar as boas novas de Jesus, anseio de ter mais de Deus... O interessante é que, enquanto estivermos aqui na terra, com exceção desta sede de ter mais intimidade com Deus, nenhum outro tesouro dá para se buscar sozinho – eles precisam ser praticados e/ou compartilhados com alguém. Aí me veio à mente: a importância que o OUTRO tem em nossas vidas para chegarmos perto de Deus.

Enquanto estava escrevendo este texto, num domingo antes do culto, parei para olhar a cena ao meu redor: os irmãos do louvor montando os instrumentos, outros arrumando cadeiras, alguns chegando para o culto e cumprimentando os que lá já estavam... Juntos, compartilhando o amor de Deus e trabalhando na Sua obra – ajuntando tesouros no céu. Pensei: “se um dia eu perdesse isso, meu coração se entristeceria profundamente”.

É fato que, na maioria das vezes em que Deus mais me abençoou, foi através desse OUTRO, o próximo. Um OUTRO cheio de defeitos, manias, como eu. Um OUTRO que talvez eu nem gostasse ou nem tivesse muito contato. Ou OUTRO que eu amasse tanto que talvez fosse até previsível saber que ele iria me abençoar. Deus é especialista em nos tocar através do OUTRO, promovendo, além da Sua bênção, a comunhão entre os irmãos.

Sei que há uma grande variedade de tesouros dos céus que podemos buscar aqui na terra e nos deliciar com as maravilhas de Deus nas coisas que o tempo não corrói. Mas a AMIZADE, contato, calor humano e essa benção de Deus nos dar amigos mais chegados que irmãos é o que sempre me impressiona. Ultimamente tenho tido mais sede de abraçar, de falar que amo, de dar ouvido a desabafos ou mesmo histórias triviais, de apertar a mão e profetizar bênçãos. Assim estou me arriscando a receber mais do Senhor e a entender Sua essência de amor profundo e incondicional.

Ensina-me, Senhor, a ver o OUTRO sempre como um canal de bênção em minha vida e verdadeiro tesouro dos céus. Amém.

07 fevereiro 2008

Por tudo que Tu és...


Ouvindo o louvor "Magnificai o seu santo nome...” parei para prestar atenção na frase "por tudo que tu és". Penso que, ao mesmo tempo em que há muito que falar DELE, há a impossível tarefa de dizer “tudo que Ele é”, mesmo assim, me arrisco a dizer um pouco do que Ele tem sido para mim, para minha família, para meus amigos, mesmo sabendo que jamais conseguiria dizer “tudo”.

As principais características deste Deus-Supremo seriam:
A Onipotência: poder absoluto sobre todas as coisas;
A Onipresença: poder de estar presente em todo lugar; e,
A Onisciência: poder de saber tudo.

Vasculhando um pouco mais sobre as características de Deus que posso ver concretizadas ao longo de uma convivência com Ele, me deparo com uma que me dá segurança: Ele é JUSTO, pois dá alegria para os retos de coração, mas consome os inimigos no fogo de sua justiça. (Salmos 96).
Ele também é SANTO, um dos motivos para ter temor a um ser tão superior que os homens devem se prostrar ante os pés dele (Salmos 99:5). Mesmo assim, Ele responde aos que o adoram. Através de exemplos históricos, Moisés, Arão e Samuel. Sabemos do seu perdão para que houvesse comunhão com o Deus santo. (Salmos 99:8).
Deus é FIEL, certo professor de Filosofia que tive disse que, ao ver nos carros a frase: DEUS É FIEL, vinha a imagem de uma pessoa carregando Deus em uma coleira como a um cachorro, conhecido pela sua fidelidade ao homem. Em 2 Tm 2:13, diz que se formos infiéis, Ele permanece fiel, pois não pode negar-se a Si mesmo. Que alívio!!! As bênçãos do Senhor são incondicionais, se fosse ao contrário, o que seria de nós? Pensar que a benção é condicional seria soberba. Ninguém, por mais que faça, merece que Deus escute e nos atenda. Agora, da mesma forma que permanece fiel a nós, permanece fiel à sua Palavra.
Deus é também ETERNO, tudo pode passar, menos Ele (Salmos 102:12), é PASTOR, no Salmo 100, o salmista nos convida para entrar no Templo com cânticos e ações de graças, porque Ele cuida de nós.
Davi chama a sua própria alma para bendizer ao Senhor por Ele ser MISERICORDIOSO em Salmos 103. O louvor não deve ser somente da boca para fora, mas feito com toda a força de “tudo o que há em mim” (1). Davi não queria esquecer de nenhuma de suas bênçãos: perdoa iniqüidades, sara enfermidades, redime a vida, mostra graça e misericórdia, abençoa o homem na sua velhice.
Ele não nos trata segundo os nossos pecados (Salmos 103:10), aí está motivo de sobra para toda alegria e esperança que possa existir nessa vida, pois característica mais linda que a GRAÇA do nosso Deus não pode existir. Nela está toda a grandeza do perdão que Ele nos oferece!
O caráter de Deus revelado a nós através da Bíblia, é como Sua "semente", (1 Pe1:23) porque ela reage com a nossa mente e uma nova criatura se forma dentro de nós, a qual tem as características de Deus (Tiago 1:18; 2 Co. 5:17). Portanto é propósito de Deus revelar o seu caráter e a essência do Seu para seus filhos, para que, pela obediência à sua Palavra, possamos desenvolver algumas dessas características em nós.

Por minha querida Milinha (Jamile Fernandes)

10 janeiro 2008

Fé em Deus e fé no que virá...


"Senhora, entre a Itália e a Áustria há uma parte dos Alpes chamada Semmering – é uma região das montanhas muito íngreme e alta. Assentaram trilhos nessa parte dos Alpes para ligar Viena e Veneza. Assentaram os trilhos antes mesmo que houvesse trem para percorrer o trajeto. Construíram porque sabiam que um dia o trem chegaria."

Isso fui eu, assistindo “Sob o sol da Toscana” dia desses. Ainda costumo me admirar como o Senhor é capaz de falar aos nossos corações por meios que, aparentemente, não têm nada a ver com Ele.

Às vezes tenho a sensação de que perdi a minha fé. Não que eu fique desanimada (se bem que isso também acontece), mas passo a viver a minha vida independente das promessas que Deus tem para mim – passo a traçar meus próprios propósitos, metas, caminhos. Não é de se admirar que, na maioria das vezes não dá nada certo ou, quando dá, não me sinto realizada.

Quando a gente coloca nossa vida nas mãos do Senhor, não adianta: só seremos felizes se aprendermos a depender Dele em TUDO – sentimentos, estudos, profissão, ministérios, relacionamentos. Ele, se quisermos e permitirmos, nos orienta em tudo.

Só que muitas vezes a gente quer se adiantar e fazer as coisas na frente do Pai. Ou então, tendemos a determinar: “Deus, eu quero assim!”. E não paramos para perguntar qual era a perfeita e agradável vontade Dele. E quando tomamos conta de nossa própria vida, acabamos por deixar a fé de lado. A fé de que Deus está no comando, fé de que Ele tem sempre o melhor, fé em tudo aquilo que cantamos nos louvores, mas não vivemos.

Quando assisti o filme e atentei para o que um dos personagens disse sobre os trilhos, voltei a entender que cada passo de nossa vida e caminhada com Deus é uma questão de fé (“voltei a entender” é porque volta e meia eu esqueço até os mais básicos princípios do meu relacionamento com Deus). É difícil começar a construir uma estrada sem saber se você vai ter carro ou forças para trilhá-la. Imaginem como foi para Noé construir uma arca porque Deus disse que haveria uma inundação num local onde não chovia há anos! (Cf. Gênesis 6). Além de ser alvo de zombaria, imagino com que freqüência ele se perguntou se tinha mesmo ouvido a voz de Deus, se não estava ficando louco. Ele era humano, assim como nós. Só que, ao contrário de muitos de nós, ele não deixou que sua racionalidade sobrepusesse a sua fé no Deus vivo.

Muitas promessas de Deus em nossas vidas estão esperando somente uma atitude positiva de nossa parte para que o Senhor as derrame ricamente. Não vivamos fazendo de conta que Deus não faz planos para nós. Isso impede o Seu mover em nossas vidas. Vivamos como se a bênção já estivesse em nossas mãos, vivamos PELA FÉ.

Ô coisa bonita é essa fé que o Senhor tem me ensinado. Que Ele nos abençoe sempre, sempre.

16 dezembro 2007


“Não havendo bois, o celeiro fica limpo, mas pela força do boi há abundância de colheitas”. (Provérbios 14:4)

Há pessoas que, por medo, por apreensão ou mesmo por preguiça, desenvolvem a pretensão de sair desta vida “intactas”. Intactas no sentido de não sofrerem, não serem contrariadas, não terem grandes surpresas, não saírem de sua posição de acomodação e diplomacia. Com isso, acabam por desenvolver um caráter de neutralidade ou até indiferença com relação às mais variadas cenas da vida.

Conheço pessoas que temem relacionar-se. Não se aprofundam nas amizades, não cedem mais do que aquele limite de carinho com que estão acostumadas. Não ultrapassam aquela linha de fronteira que estabeleceram em suas próprias mentes e corações, evitando interações mais profundas com quem quer que seja. Tudo por medo de se magoarem porque, um dia, há muito tempo, investiram num relacionamento que não deu certo.

Há até mesmo quem, apesar de ter o coração cheio de sonhos ousados – pular de pára-quedas, ser astronauta, navegar pelos mares – nunca se aventuraria numa empreitada dessas, tão-somente por medo de machucar-se, mutilar-se ou morrer. Por isso deixa seus sonhos de lado e toca pra frente a sua vida como se nunca tivesse imaginado tais coisas.

Alguns não se arriscam na vida acadêmica ou profissional. A quantidade de conhecimento e experiência que têm, ainda que pouca, já parece ser o suficiente. Ademais, estudar, fazer cursos, reciclar-se, fazer hora-extra, parece muito trabalhoso. Com medo de perder o que já têm, estagnam-se na posição em que estão.

Na caminhada com Deus também ocorre isso. Muitos se conformam com o que já possuem; não sentem desejo de buscar mais, ou ignoram haver mais de Deus pras suas vidas. Por acomodação não se arriscam na oração mais fervorosa, no coração mais contrito, na meditação mais profunda. Chamam de loucos e com suposto respeito oram pelos missionários que largam tudo e saem mundo afora para falar de Cristo.

ARRISCAR-SE é a questão. O sábio, em seu provérbio, fala que o celeiro sem bois fica limpo. Em contrapartida, as terras pouco produzem. Aqueles que fogem das guinadas na vida mantêm-se estáveis – não sofrem grandes tristezas, mas perdem as grandes alegrias. Aqueles que não se arriscam em voar nas asas do Espírito, viver da graça e assim cumprir o propósito de Deus, podem até ter uma certa estabilidade, mas provavelmente nunca experimentarão o melhor que Deus tem a nos oferecer – Seu poder para fazer diferença neste mundo.

Creio que, num contexto cristão, os ousados têm mais a ganhar. Aqueles que olham para tudo o que já conquistaram em Deus e dizem: ”Senhor, eu quero mais! Eu sei que tu tens mais a me dar!”, sempre ganham o coração de Deus nesse sentido. Como diz o pastor André Valadão em sua música Obrigado Jesus: “É pouco, é muito pouco! Tem muito mais pra acontecer comigo! É grande, é muito grande cada promessa que eu tenho em Cristo”. Esse tipo de pensamento demonstra sede por parte de Seus servos. No entanto, aqueles que pensam já estar concluída a obra do Senhor em suas vidas, que não pedem mais, que têm preguiça de colocar o joelho no chão e clamar por seus impossíveis, esses ficarão estagnados, parados no degrau espiritual onde estão. Temos sempre que saber que “[...] Deus não dá o Espírito por medida” (João 3:34).

Neste provérbio, o Senhor tocou o coração do sábio para nos mostrar que sempre temos duas escolhas: 1) deixar nossos celeiros limpos e sem bois, ou seja, cruzar os braços e ver nossa vida passar, sem arriscar em nada, tentando sempre nos mantermos indiferentes; 2) ou criar os bois, que, mesmo sujando o celeiro, nos darão o fruto do seu trabalho, ou seja, nos arriscarmos sempre a fazer não a nossa vontade, mas a de Deus, mesmo não sabendo o que há de vir, mesmo sabendo que corremos riscos de rir ou de chorar, de sofrer ou regozijar-se, de cair, arranhar os joelhos, mas sempre levantar-se porque é a mão do Pai que nos sustenta. “Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Filipenses 1:21).

Os riscos que Deus nos convida a correr são MARAVILHOSOS! Risco de viver intensamente o Seu propósito para esta geração escolhida para anunciar a volta de Cristo. Risco de experimentar um amor sobrenatural por pessoas que não conhecemos, mas a quem queremos alcançar com a Verdade. Risco de experimentar prodígios e milagres.

Viver de verdade é arriscar-se, é negar-se a si mesmo, tomar sua cruz e pagar o preço como Jesus pagou.

28 novembro 2007

Croatá de Ocara


(Peço perdão aos leitores pela demora nas publicações, mas estou estudando pra um concurso que quero DEMAIS. Espero, com a graça de Deus, poder contar a vitória aqui, em primeira mão, para vocês - sejam lá quem e quantos forem!)


No último final se semana, mais uma vez, fui para a Missão. Para falar a verdade, eu não estava muito a fim de ir, não... Minha cabeça está tão cheia com esses estudos, que cheguei até a pensar que não ia valer a pena ir e ficar com a cabeça nos livros. Só que, como sempre acontece, o chamado de Deus falou mais alto. Deu um aperto no coração. Aí já viu: ai de mim se não fosse!


O destino era Croatá, um vilarejo distante 6 km de Ocara (a 90 km de Fortaleza). Dormimos pouco, mas é sempre incrível como o Senhor nos dá forças nos dias de Missão. Pela manhã, debaixo daquele solzinho do interior do Ceará (só quem já sentiu sabe do que eu estou falando), fomos evangelizar.


Manancial - este devia ser o nome de Croatá. O refrigério de Deus que inundou o meu coração naquela manhã de sábado foi algo que eu nunca havia sentido antes em missão. Em cada casa o Senhor parecia ter se adiantado à nossa frente e marcado presença. Ao invés de levarmos a Palavra de Deus, muitas vezes a recebemos, não somente pela leitura da Bíblia, mas por testemunhos de vida de pessoas inundadas por uma fé que nos surpreendeu ali, "no meio do nada" onde estávamos. As casas estavam de portas abertas para que entrássemos e compartilhássemos das boas-novas do Senhor. Que povo bonito! Por fora e por dentro...


Depois fiquei pensando, sabe?! Dizem que "quando a esmola é demais, o santo desconfia". Às vezes enfrentamos tantas batalhas para que a Missão se realize... Geralmente encontramos portas fechadas e corações endurecidos. Para mim foi difícil entender Croatá. Até que veio a luz do Senhor em minha mente, trazendo respostas: o coração endurecido era o meu. Não era Croatá que precisava que eu fosse até lá, mas meu íntimo que precisava que Croatá viesse até ele, trazendo refrigério à minha alma. Não quero ser egoísta, mas essa Missão foi pra mim. Sei que o foi para muitas outras pessoas, mas que Deus tinha algo de especial preparado pra mim, tinha.


Muitas vezes o nosso coração se endurece por fixar seus sonhos nas coisas deste mundo. A disciplina e os estudos são uma coisa boa que o Senhor colocou em minha vida. Mas, muitas vezes, eles se tornam meu mundo e me tiram a atenção das coisas que o Senhor quer fazer em minha vida e através dela.


Croatá e Ocara foram uma bênção... Peço a Deus que minha percepção esteja aguçada para nunca deixar de responder aos Seus chamados e assim ser abençoada. Obrigada, Senhor. Te amo de todo o meu coração!

06 novembro 2007

Aos ousados...


"Os que, tomando navios, descem aos mares, os que fazem tráfico na imensidade das águas, esses vêem as obras do Senhor e as suas maravilhas nas profundezas do abismo." (Salmo 107:23,24)


Este é um salmo que possui autoria e data incertos. No entanto, não é incerto dizer que, à época em que foi escrito, o mar era algo tão imenso e misterioso que se falava até em "abismo" (uma impressão antiga, segundo a qual o mar, no horizonte, desabava suas águas num imenso desfiladeiro). Aqueles que se aventuravam no mar eram verdadeiros desbravadores.

Queria falar de pessoas corajosas. De espírito ousado. As águas do mundo espiritual no qual estamos inseridos são bravias e misteriosas. A cada momento, mesmo que não consigamos ver, trava-se uma constante batalha do bem contra o mal ao nosso redor (sim, isto é real, não foi tirado de filmes ou quadrinhos). A própria Palavra de Deus assegura que a nossa luta não é uns contra os outros, mas contra exércitos espirituais (Efésios 6:12) que nos tentam afastar do propósito que Deus tem em nossas vidas.

Muitas vezes não queremos enxergar e crer que essa batalha existe, mas mesmo assim ela é real. Podemos sentir quando há algo de maligno agindo contra a nossa alegria, enviando palavras de maldição, de discórdia ou grosseria através de outra pessoa. Ou mesmo quando nos fala ao coração que a nossa busca a Deus já é suficiente, que não há nada mais a alcançar. É aí que entra a nossa vontade e disposição para buscar ao Senhor.

O versículo fala de pessoas que, mesmo indo de encontro à logica, lançam-se em desafios considerados difíceis ou impossíveis. Tomam "barcos" rumo ao desconhecido e se aventuram nas "águas de Deus". O que significa tudo isso?

Posso crer que o Senhor nos quer ver assim: desbravadores do Seu reino, na Sua obra. Mesmo indo contra a razão do mundo. Aqueles que ousam orar mais, buscar mais, clamar com intensidade, encontram em Deus coisas e experiências que poucos são capazes de desfrutar - só os sedentos, corajosos e desbravadores. Há presentes de Deus que Ele dá "de bandeja" e todos têm a capacidade de usufruir (como a salvação). Mas outros, esses sim, são para aqueles cujo coração encontra imenso prazer de estar em Sua presença, de buscar Sua face até encontrá-la.

Será que podemos buscar, orar, clamar, louvar um pouco mais? Nem imaginamos que maravilhas poderemos encontrar nesse abismo de mistérios de Deus...

09 outubro 2007

Tempo de Exílio


''Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os exilados que eu deportei de Jerusalém para a Babilônia: Edificai casas e habitai nelas; plantai pomares e comei o seu fruto. Tomai esposas e gerai filhos e filhas, tomai esposas para vossos filhos e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; multiplicai-vos aí e não vos diminuais. Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz." (Jeremias 29:4-7)

O povo de Israel - o povo de Deus! - estava aprisionado no cativeiro babilônico. E não era só: o povo estava dividido, pois uma parte havia ido para a Babilônia (levaram aqueles que eram artífices, sábios, fortes, bonitos, enfim, os que teriam alguma utilidade para o império babilônico) e a outra parte havia ficado.

Profetas existiam em ambos os locais. A pergunta que vinha à mente do povo era: "Quais estão dizendo a verdade?", pois uns apregoavam que o cativeiro era uma condição que logo passaria, enquanto outros - dentre eles Jeremias - diziam que seriam décadas de submissão.

Contra a maioria dos "otimistas" e falsos profetas que se levantaram no meio do povo, Jeremias pregava uma desgraça: o povo passaria setenta anos sob o jugo babilônico. "Desgraça", mas propósito de Deus quanto a um povo que ainda tinha muito o que aprender sobre os desígnios divinos.

Assim sendo, o Senhor ordenou a Jeremias que dissesse ao povo exilado que eles não se desanimassem, mas que "tocassem" suas vidas adiante - plantassem, colhessem, morassem, casassem, procriassem. Isso deve ter soado um tanto desanimador para o povo que, desde logo, esperava por libertação. Mas o Senhor, como sempre, tem Seu próprio tempo e sabia que os setenta anos seriam um "treinamento" para o coração do povo.

Mas onde quero chegar com essa conversa toda? O Senhor tem feito assim também conosco, colocando-nos em situações de exílio: longe de nossos sonhos, longe daquilo que amamos, longe de alcançar aquilo que queremos. O momento da provação é como um exílio - estamos presos, impedidos de fazer qualquer coisa que não seja entregar aquela situação nas mãos de Deus. E, para completar, muitas vezes, ao invés de um "te tiro já daí", o Senhor nos diz "tenha mais paciência, pois ainda vou te deixar aí por um tempinho". Aos olhos humanos e aos sentimentos de quem está passando por essa situação, isto é definitivamente REVOLTANTE.

Eu estou passando por um momento de provação e o Senhor me disse isso hoje: agüenta mais um pouquinho. Deu vontade de chorar. Mas, pensando melhor, só me resta aceitar, pois sei que "o melhor de Deus ainda está por vir".

O que fazer quando estamos "no maior aperto" e o Senhor nos manda esperar mais ainda? Certamente esmorecer, rebelar-se ou pedir a morte não é a resposta (muito embora esta seja a nossa primeira reação). Por mais árduo que pareça, devemos adorar ao Senhor, buscá-lo com mais intensidade e orar procurando discernimento para enxergar o motivo dessa espera.

Paz do Senhor e paciência a todos os “esperantes” de promessas de Deus!